L'association "Les amis de Gabriel MAIRE" a été créée après l'assassinat de Gaby au Brésil le 23 décembre 1989. . A associação "les Amis de Gabriel Maire" foi criada depois da morte do Padre Gabriel em Brasil o 23 de dezembro de 1989.
La théologie de la libération, de L. Boff
Des pistes pour sortir du cléricalisme
Analyse de Christine Schenk dans IHU du 17 sept. 2018 (Trad.)
(...) Je ne peux pas éviter de me demander si l'actuel effondrement de la confiance en l'Eglise suite aux abus sexuels du clergé ne pourrait pas créer un nouveau moment de grâce qui ferait éclater les modes anciens de gouvernance et créerait de nouveaux modes plus en accord avec notre temps.
Grâce au théologien de la Libération Leonardo Boff nous pouvons déjà avoir des pistes.
En terminant mes études de Master en Théologie, en 1992, j'ai été marquée par le livre prophétique de Boff : Eglise, charisme et pouvoir. A l'époque où le livre a été publié, en 1981, Boff était un père franciscain et un théologien qui vivait au Brésil. Là, il a pu constater par lui-même les dons de l'Esprit-Saint (charismes) en action dans les communautés chrétiennes de base pleines de vie en Amérique latine. Son livre est né d'un environnement où les paysans trouvaient leur courage et la grâce de s'aimer les uns les autres alors qu'ils affrontaient régulièrement des injustices qui les maintenaient dans la pauvreté.
Pour Boff, l'Eglise est le sacrement de l'Esprit Saint et puisque l'Esprit est donné à tous les membres du peuple de Dieu, on peut se demander quelles structures d'organisation ou juridictionnelles fonctionneraient mieux pour dispenser les dons de l'Esprit en faveur du royaume de Dieu.
Après avoir fait une étude approfondie des traditions théologiques plus spécialement centrée sur l 'Europe, Boff a osé suggérer un nouveau mode de gouvernance pour l'Eglise. Dans son modèle, c'est le charisme (don de l'Esprit) qui est le principe organisateur, et non pas les structures monarchiques que nous avons aujourd'hui. Il donne pour exemple saint Paul, qui voyait le charisme comme une fonction ou un service concret que chaque chrétien exerçait au nom de tous dans la communauté (I Corinthiens 12 : 7 ; Romains 12 : 4 ; Ephésiens : 4 : 7).
Pour Paul, il n'y a pas de chrétiens qui ne soient pas charismatiques, tous ont une place importante et chacun de nous est appelé à servir la communauté (Romains 12 : 5). Boff observe : "Ce modèle de vie chrétienne est très différent de celui dans lequel la hiérarchie s'empare de tout le pouvoir sacré et de tous les moyens de production religieuse, disant pratiquement : "Vous écouterez, obéirez, ne poserez pas de questions et ferez ce que nous (vous) dirons."
Dans le modèle de Boff, la hiérarchie n'est qu'un état charismatique de l'Eglise et ne doit pas étouffer les autres charismes suscités par l'Esprit. De plus, la fonction de la hiérarchie, c'est "d'ouvrir le chemin de l'unité et de l'harmonie entre les divers services" (charismes) exercés par les fidèles.
On pourrait dire sans exagérer que, selon le schéma de Boff, les leaders (prêtres, diacres et évêques) seraient choisis sur la base de leurs dons pour le service, et non sur la base de leur genre ou de leur pouvoir.
Comme on pouvait le prévoir, en 1984 Boff fut traduit devant la Congrégation pour la Doctrine de la Foi du Vatican et condamné à un an de "silence de soumission" par celui qui était alors le cardinal Joseph Ratzinger. Boff quitterait alors le sacerdoce en 1992, après que Ratzinger ait tenté de le faire taire à nouveau. Il se disait que le livre de Boff "mettait en danger la saine doctrine de la foi."
Pourtant, ainsi que quiconque ayant lu le livre peut en attester, l'unique chose que "Eglise, charisme et pouvoir" peut mettre en péril, ce sont les structures monarchiques non fiables dont nous souffrons gravement aujourd'hui.
Il est douloureux de reconnaître que le cléricalisme effréné à l'intérieur d'un réseau fermé de "bons et vieux camarades" a permis à la fois l'horreur des abus sexuels et le silence coupable flagrant des évêques. Ces mêmes évêques ont choisi de préserver le système clérical plutôt que de protéger nos enfants. (...)
D'après un article paru sur IHU du 17 septembre 2018. Clic !
Traduction : Paul, Lulu, Claudette
Não posso deixar de me perguntar se a atual implosão da credibilidade eclesiástica sobre o abuso sexual clerical tem o potencial de criar um novo momento de graça, um que rompa modelos de governança antiquados e crie novos modelos mais adequados aos nossos tempos.
Podemos já ter um roteiro - graças ao teólogo da libertação Leonardo Boff.
Ao completar meus estudos de mestrado em teologia em 1992, fui atingida pelo livro profético de Boff Igreja: carisma e poder. Na época em que o livro foi publicado, em 1981, Boff era padre franciscano e teólogo e vivia no Brasil. Lá, ele experimentou os dons do Espírito (carismas) em ação nas vibrantes comunidades cristãs de base da América Latina. Seu livro emergiu de um ambiente em que camponeses pobres encontraram coragem e graça para amar uns aos outros enquanto enfrentavam injustiças sistêmicas que os mantinham pobres.
Para Boff, a Igreja é o sacramento do Espírito Santo, e já que o Espírito é dado a todos do povo de Deus, pode-se perguntar: quais estruturas organizacionais ou jurisdicionais funcionam melhor para liberar os dons do Espírito em favor do reino de Deus?
Após extenso estudo de tradições teológicas mais eurocêntricas, Boff ousou sugerir um novo modelo de governança da Igreja. Em seu modelo, o carisma (dom do Espírito) é o princípio organizador, e não as estruturas monárquicas que temos agora. Ele aponta para São Paulo, que via o carisma como uma função ou serviço concreto que cada cristão exercia em nome de todos na comunidade (1 Coríntios 12:7; Romanos 12:4; Efésios 4:7).
Para Paulo, não há cristãos não-carismáticos, todos têm um lugar importante e cada um de nós é chamado para servir a comunidade (Romanos 12:5). Boff observa: "Este modelo de vida cristã é muito diferente daquele em que a hierarquia toma todo o poder sagrado e todos os meios de produção religiosa, dizendo na prática: 'Vocês escutarão, obedecerão, não farão perguntas e farão o que dissermos'."
No modelo de Boff, a hierarquia é apenas um estado carismático da Igreja e não deve sufocar os outros carismas elevados pelo Espírito. Além disso, a função da hierarquia é "abrir caminho para a unidade e harmonia entre os vários serviços" (carismas) exercidos pelos fiéis.
Não é um salto dizer que, neste modelo, os líderes (padres, diáconos e bispos) seriam selecionados com base em quem tem os dons para o ofício, não com base em gênero ou poder.
Previsivelmente, em 1984 Boff foi levado a julgamento pela Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano e condenado a um ano de "silêncio obsequioso" pelo então cardeal Joseph Ratzinger. Boff deixaria o sacerdócio em 1992, depois que Ratzinger tentou silenciá-lo novamente. Dizia-se que o livro de Boff "colocava em risco a sadia doutrina da fé".
No entanto, como qualquer um que tenha lido pode atestar, a única coisa que Igreja: carisma e poder coloca em perigo são as estruturas monárquicas não-confiáveis com as quais sofremos gravemente hoje.
É dolorosamente claro que o clericalismo desenfreado em uma rede fechada de “bons e velhos camaradas” permitiu tanto o horrendo abuso sexual quanto um flagrante encobrimento dos bispos. Esses mesmos bispos escolheram preservar o sistema clerical em vez de proteger nossos filhos.
O que devemos fazer?
Sugestões são abundantes, incluindo: o estabelecimento de um novo National Review Board (“Conselho Nacional de Revisão”, em tradução livre) na esperança de responsabilizar os bispos; monitorar os conselhos de revisão dos leigos diocesanos; patrocinar os protestos nas catedrais; e até mesmo nomear mulheres como cardeais. Isto pode ser útil a curto prazo. Mas também arrisca perpetuar o sistema monárquico-clerical quando o que é necessário é uma revisão radical.
Aqui está minha opinião sobre o que uma "revisão radical" pode incluir:
Por que não convocar um sínodo mundial sobre o Espírito Santo na vida e liderança católicas, em que a representação de todos do povo de Deus teria voz deliberativa ao lado dos bispos? Um item da agenda poderia ser a discussão/discernimento de novos mecanismos para integrar os dons do Espírito do povo de Deus ao ministério da Igreja e à tomada de decisões. Outra poderia ser uma exploração da vinculação do ministério da Igreja ao sacramento do batismo, e não à ordenação.
Certamente, através do poder do Espírito, tal diálogo e discussão poderiam nos ajudar a descobrir os pesos e contrapesos tão desesperadamente necessários no governo católico moderno.
A preparação para esse sínodo exigiria a perícia de eclesiologistas e advogados canônicos proeminentes. Esses especialistas poderiam recomendar mudanças na lei canônica e na política da Igreja que responsabilizem os bispos e integrem os leigos à tomada de decisões, de modo que tenhamos uma voz deliberativa (não apenas consultiva) em todos os níveis.
Acabei de terminar a leitura de However Long the Night (“Por mais Longa que Seja a Noite”, em tradução livre), um belo livro da Leadership Conference of Women Religious (“Conferência de Liderança das Mulheres Religiosas”, em tradução livre). Em uma série de breves ensaios, as líderes-irmãs descrevem processos contemplativos de tomada de decisão que abriram espaço para o Espírito de Deus liderá-las e guiá-las através de um doloroso conflito com o Vaticano. A série exemplifica muitos dos escritos de Boff sobre o lugar central do carisma na vida da Igreja.
O Espírito sabe o que faz. Como talvez nunca antes, é hora de agirmos e confiarmos nela.