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9 juillet 2017 7 09 /07 /juillet /2017 08:17

Frère Irénée est brésilien, il a terminé sa vie à l'abbaye de Tournay. Frère Joël avec une équipe continue d'envoyer la lettre de la paix chaque mois. Voici celle de juillet. (Un clic ici pour en savoir plus sur frère Irénée.)

Lettre de la paix de frère Irénée

A vous tous qui cherchez la paix en ce mois de Juillet 2017

Intention de prière : les peuples indigènes du Brésil

A vocês que buscam a paz neste mês de julho 2017

Intenção de oração: os povos indígenas no Brasil 

 

Nommé le 31 août 2016 en remplacement de Dilma Rousseff, le nouveau président brésilien, Michel Temer, incarne le retour d'un conservatisme économique et politique. De quoi remettre en question les droits acquis, notamment ceux des petits agriculteurs et des peuples indigènes. L’annonce en mai dernier de la suppression du Ministère de Soutien à l'Agriculture familiale provoque l'inquiétude ; en effet, 70 % des aliments consommés par les brésiliens proviennent de l'agriculture familiale.

Nomeado no dia 31 de agosto para assumir o lugar de Dilma Roussef, o novo presidente do Brasil, Michel Temer, inscreve o retorno de um conservadorismo econômico e político. Razão para se colocar novamente em questão os direitos adquiridos, especialmente os direitos dos pequenos agricultores e povos indígenas . O anúncio, em maio, do fim da Secretaria Especial de Agricultura Familiar provoca inquietação; Com efeito, 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros provêm da agricultura familiar.

 

Les peuples indigènes sont parmi les autres grands perdants de cette nouvelle orientation économique ; des coupes franches ont été faites dans le budget de la Fondation Nationale de l'Indigène du fait que le Front parlementaire de l'agriculture (FPA) a diminué le budget alloué. Aux paysans sans terre et aux peuples indigènes qui tenteraient de s'opposer à cette politique en faisant valoir leurs droits, le FPA a suggéré à Michel Temer d'envoyer l'armée brésilienne pour faire de la « médiation » sur les sites « envahis » ! De quoi renforcer le sentiment partagé par l'opinion publique brésilienne que le géant sud-américain fait un retour en arrière de plus de trente ans. Bien que reconnus et protégés par la constitution de 1988, les peuples indigènes d'Amazonie sont de plus en plus menacés par l'exploitation des matières premières. Le programme d'accélération de la croissance, destiné à développer les infrastructures liées à l'énergie et les transports, a été conçu pour exploiter au mieux les ressources naturelles du Brésil. Les peuples indigènes qui vivent en Amazonie, région riche en matières premières, veulent préserver leurs terres, seule richesse qu’ils peuvent exploiter. Or les violences ne cessent d'augmenter : la déforestation sans limite, la création de complexes hydroélectriques et l'exploitation du pétrole menacent directement les populations indigènes. Privés de leur terre, ils ne peuvent plus cultiver manioc, riz et haricots qui sont les aliments de bases de leur nourriture, ni continuer l'élevage de cochons et de volailles ou s’adonner à la pêche de mars à septembre. Mgr Roque Paloschi (1) depuis octobre 2015 archevêque de Porto Velho, en Amazonie brésilienne déclare au CCFD «  qu'il existe au Brésil des groupes radicaux, très actifs au Parlement qui, alimentés par l'opportunisme de l'agrobusiness et du capital international, détruisent tout, en commençant par ce qu'il y a de plus sacré c'est à dire la vie des peuples et de la planète . »

Os povos indígenas estão entre os grandes perdedores desta nova orientação econômica. Cortes drásticos foram feitos no orçamento da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), de forma que a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) diminuiu o orçamento que havia sido destinado. Contra os trabalhadores sem terra e contra os povos indígenas que tentaram se opor a essa política fazendo valer os seus direitos, a FPA sugeriu ao presidente Temer enviar a Polícia Federal para fazer a « mediação » nas áreas « invadidas » ! Motivo para reforçar o sentimento expresso pela opinião pública brasileira de que o gigante sulamericano vive um retrocesso de mais de trinta anos. Apesar de reconhecidos e protegidos pela Constituição de 1988, os povos indígenas estão, cada vez mais, ameaçados pela exploração de matéria-prima. O Programa de Aceleração do Crescimento, destinado a desenvolver a infraestrutura relacionada à energia e transporte, foi concebido para melhor explorar as riquezas naturais do Brasil. Os povos indígenas que vivem na Amazônia, região rica em matéria-prima, querem preservar suas terras, a única riqueza da qual eles podem  usufruir. Mas a violência não para de aumentar: o desmatamento sem limites, a criação de complexas hidrelétricas, e a exploração do petróleo ameaçam diretamente as populações indígenas. Privados de suas terras, eles não podem mais cultivar a mandioca, o arroz e o feijão que são os produtos de base de sua alimentação, nem continuar a criação de porcos e galinhas ou dedicar-se à pesca de março a setembro. Monsenhor Roque Paloschi (1), arcebispo de Porto Velho (Amazônia) desde outubro 2015, declarou ao CCFD (Comitê Católico contra a Fome e pelo Desenvolvimento) que « existem no Brasil grupos radicais, muito influentes na Câmara dos Deputados que, alimentados pelo oportunismo do agronegócio e do capital internacional, destroem tudo, a começar pelo que há de mais sagrado que é a vida dos povos do planeta ».

 

 

  1. Dom Roque Paloschi, originaire du Sud du Brésil, grand ami du frère Irénée, avait pu le visiter à Tournay lors d’une visite qu’il faisait à Rome. Leur rencontre avait été d’un grand réconfort pour notre frère déjà très atteint par la maladie.

Dom Roque Paloschi, originário do Sul do Brasil, grande amigo do Irmão Irineu, teve a oportunidade de lhe visitar em Tournay, durante uma visita que fazia a Roma. Sua vinda foi um grande consolo para o nosso irmão que já estava tão abatido pela doença.

Moines de Tournay

Moines de Tournay

Prions : Pour l’Église qui est au Brésil, ses pasteurs et tous ses missionnaires.

Qu’elle soit présente aux côtés des populations en souffrance et empêchées de vivre avec dignité.

Qu'elle puisse, sans entrave, assumer la mission que toi, Seigneur, tu lui as confiée.

Qu'elle soit témoin de ta tendresse et de ta miséricorde envers les plus faibles.

Rezemos : Pela Igreja no Brasil, seus pastores e todos os seus missionários. Que ela esteja presente ao lado das populações que sofrem, impedidas de viver dignamente.

Que ela possa, sem entraves, assumir a missão que Tu, Senhor, lhe confiaste.

Que ela seja testemunho de tua ternura e tua misericórdia em vista dos mais fracos.

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5 juin 2017 1 05 /06 /juin /2017 08:08
Pieds nus sur le sol rouge

Un film à voir ou revoir sur France TV (France Ô) pendant toute la semaine...

Pieds nus sur le sol rouge

En 1988, le père Casaldaliga, évêque de São Félix, au Brésil, se rend à Rome pour y rencontrer le pape Jean Paul II et alerter ce dernier sur les conditions de pauvreté extrême que subit le Brésil. Il participe, au préalable, à une audience avec le cardinal Ratzinger, au cours de laquelle il raconte son arrivée au Brésil vingt ans plus tôt. Volontaire pour fonder une mission à São Felix et accompagné de Daniel, le père Casaldaliga se heurte très rapidement à la misère du peuple brésilien, à la tyrannie des propriétaires terriens et à la corruption des autorités. Révolté par ces injustices, il décide de lutter au côté du peuple...

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23 décembre 2016 5 23 /12 /décembre /2016 08:53

Aujourd'hui 23 décembre, commémoration du 27ème anniversaire de l'assassinat de Gaby.

En attendant les photos que nos amis de Vitoria nous partageront, voici l'acrostiche écrit par Dárcio pour le 80ème anniversaire de la naissance de Gaby. (Dans sa version originale et en français sous la photo.)

 

Guerreiro

Amigo

Brasileiro de coração

Resistente

Incansável

Evangelizador

Legitimo

 

 

1-Guerreiro:

Lutou contra a ligadura de tropas com fins eleitoreiros. Incentivou a criação de grupos de mulheres buscando a libertação.

Lutou em várias frentes e levantou muitas bandeiras.

Levantou a voz pela PAZ e democracia em Cariacica, respeitem o voto do POVO. Denunciou a politicagem suja e conclamou o povo a ir as ruas. Não se calou. Foi profeta em tempos de desespero!

Apoiou os sem teto no direito de uma casa para morar.

Na pastoral operária conscientizava os trabalhadores e estimulava a sua organização por melhores salários e trabalho sem exploração. No boletim ferramenta ajudava a refletir sobre a realidade socioeconômica e política. Abria espaço para divulgar as greves e os avanços da classe trabalhadora.

Na pastoral da juventude provocava que ela fosse missionária e solidária.

Defendia e agia para que os cristãos e não cristãos lutassem pela transformação da sociedade e pelo fim das injustiças. Era preciso se comprometer na comunidade e na vida da sociedade através dos movimentos, partidos e sindicatos.

Não se acovardou diante da violência e chamou o povo a sair para a Rua da Boa Esperança, em via sacra e espantar o medo que se instalava no Bairro de Flexal em Cariacica. Os bandidos haviam tomado as casas e as pessoas estavam ameaçadas.O povo respondeu ao apelo e uma multidão se manifestou e orou.

Levantou a voz contra a violência institucionalizada, praticada pelo estado contra o povo. Violência nas cadeias, assassinatos de jovens e negros. Violência do poder ,o crime organizado...Meu Deus.

 

E cantamos:

“NOSSA ALEGRIA É SABER QUE UM DIA”

 

2-Amigo:

Você amava estar perto dos amigos e fez dos seus “paroquianos”, os seus amigos. Tanto aqui como na França tinha muitos amigos. Mas foi no Brasil, em Cariacica que conseguiu estar mais a vontade e entre os seus confiar e abrir o seu coração e conquistar tantos para uma causa comum. Não havia quem resistisse, quem não parasse para ouvir. Afinal era o AMIGO que estava falando.

 

Então... “amigo é coisa pra se guardar”

 

3-Brasileiro de coração: Adotou o Brasil como seu país e chegou a ficar um período estudando a língua portuguesa para melhor se comunicar. Fez curso de reciclagem em Brasília para conhecer os problemas brasileiros. Viajou no nordeste para conhecer a seca e a morte precoce de tantas crianças, enterradas em covas rasas. Viu de perto o poder do latifúndio e os contrastes entre as regiões muito pobres e outras bem ricas. Conheceu Crateús, terra de Dom fragoso e do querido Zé Vicente. Esteve em Goiás com Dom Tomas Balduino. Amava o Brasil mas não a sua pobreza. Não se conformava com o fatalismo resignação que os brasileiros tinham. Expressões do tipo: “foi Deus quem quis”, ou ainda : “é vontade de Deus” o incomodava muito. Dizia que Deus não queria a miséria do povo. Provocava em nós, brasileiros que lutássemos e não aceitássemos passivamente as regras que vinham de cima.

Nos momentos de descontração, Não recusava uma caipirinha brasileira, com muito limão e gelo.

Era um devoto de Nossa Senhora da Penha e todo participava a pé da Romaria dos homens junto a tantos peregrinos. Sabia da religiosidade popular dos brasileiros e respeitava.

 

4-Resistente: Gabriel não teve medo da morte e sua frase tão nossa conhecida:” prefiro morrer pela vida” o coloca a favor da resistência pacifica e o define como um padre de atitude frente as injustiças e a exploração que o sistema nos impõe. Resistiu bravamente contra o poder opressor, o comodismo, o egoísmo, o clericalismo. Sobretudo Gabriel resistiu contra o medo. Não fugiu. Caiu. Mas caiu lutando. Resistiu a morte. Preferiu ficar do lado da vida. Escolheu ficar do lado certo da história: do lado do povo. Da utopia que ora adormece, ora renasce em nossos corações.

 

5-Incansável: A agenda de padre Gabriel era intensa. Nos finais de semana costumava sair bem cedo de casa para celebrar e só voltava a noite. E entre uma missa e outra, muitas reuniões com o conselho da comunidade, com equipes de serviço...e ainda achava um tempo para visitar um enfermo, uma idosa, um amigo. Não dizia não para uma reunião. Divulgava uma agendinha da juventude operária católica e ele mesmo fazia uso dela. Mas ela era pequena para tantos compromissos.

De uma reunião nascia várias outras. Brotavam encontros de formação, assembleias, na comunidade, no setor, na área e a nível de arquidiocese. Gabriel não parava. No início de ônibus, depois com o seu fusca. Parecia que tinha pressa.

 

6-Evangelizador:

Dizia que todo membro de comunidade deveria ser missionário.

Anunciava um Jesus Cristo ligado a vida do povo e que morreu lutando pela libertação.

Defendia uma igreja de comunidade de base com equipes de serviços e conselhos organizados.

Dizia que uma igreja que não incomoda é uma igreja acomodada.

Preocupava-se com a organização das comunidades eclesiais de base. Mas a comunidade não pode ficar fechada em si mesma, afirmava ele. É o anuncio da palavra a todos para reafirmar a fé. Os cristãos devem transmitir a esperança. Mas lembrava que em vários lugares pessoas, leigos, lideres, religiosos, padres por assumirem a causa do evangelho são perseguidos, mortos, torturados. São pessoas que ao assumirem a cruz em sua totalidade doam a sua vida até a morte. Parece que Gabriel sabia o que ia acontecer com ele.

 

7-Legitimo:

Gabriel deixou uma marca única no jeito de celebrar a fé e a vida. Não se acovardou diante das ameaças sofridas. Muito atento aos acontecimentos de seu tempo, provocava nas comunidades reações e ações concretas no sentido de mudar aquele estado de coisas. Gabriel é legitimo, verdadeiro, irmão de Jesus Cristo encarnado, e com certeza é digno de estar na galeria dos mártires.

Acrostiche de GABRIEL

1 - GUERRIER (sans arme)

Il a lutté contre la ligature des trompes des femmes, organisée à des fins électorales. Il a encouragé la création de groupes de femmes cherchant à se rendre plus libres.

Il a lutté sur de nombreux fronts et a brandi beaucoup de drapeaux.

Il a élevé la voix pour établir la PAIX et la démocratie à Cariacica : "Respectez le vote du PEUPLE". Il a dénoncé la "sale" politique et réclamé à haute voix que le peuple descende dans la rue. Il ne s'est pas tu. Il a été prophète en des temps de désespérance !

Il a aidé les sans toit à obtenir leur droit à un logement.

A la Pastorale Ouvrière, il conscientisait les travailleurs et les stimulait dans leur recherche pour des salaires plus importants et un travail sans exploitation. Dans le bulletin "Ferramenta" il aidait à réfléchir sur la réalité socioéconomique et politique. Ce bulletin ouvrait ses colonnes aux appels à la grève ainsi qu'aux comptes-rendus des avancées de la classe ouvrière.

A la Pastorale des Jeunes, il les incitait à être missionnaires et solidaires.

Il luttait et agissait pour que les chrétiens et les non chrétiens luttent pour la transformation de la société et pour la fin des injustices. Il fallait s'engager dans la communauté et dans la vie de la société par le biais des mouvements, partis et syndicats.

Il ne s'est pas démonté face à la violence et a appelé le peuple à descendre dans la rue de Bonne Espérance, dans la voie sacrée et à faire fuir la peur qui s'installait dans le quartier de Flexal à Cariacica. Les "bandits" s'étaient emparés des maisons et les personnes étaient menacées. Le peuple a répondu à son appel et une multitude a manifesté et a prié.

Il a élevé la voix contre la violence institutionnalisée, pratiquée par l'Etat contre le peuple. Violence dans les prisons, assassinats de jeunes et de noirs. Violence du pouvoir, le crime organisé… Mon Dieu !

Et nous chantons :

"Notre joie est de savoir qu'un jour…"

 

2 - AMI

Tu aimais être près des amis et tu as fait de tes "paroissiens" tes amis. Aussi bien ici qu'en France, tu avais beaucoup d'amis. Mais c'est au Brésil, à Cariacica, que tu as réussi à être le plus à l'aise et parmi tes amis, à ouvrir ton cœur et rassembler tant de gens pour une cause commune. Il n'y avait personne qui te résistait ou qui refusait de s'arrêter pour t'écouter. En fin de compte, c'était l'AMI qui parlait.

Alors…"un ami est une chose à conserver"

 

3 – BRESILIEN DE CŒUR

Il a adopté le Brésil comme son pays et il a passé quelque temps à étudier la langue portugaise afin de pouvoir mieux communiquer. Il a suivi un cours de recyclage à Brasilia afin de connaître les problèmes brésiliens. Il a voyagé dans le Nordeste pour apprendre à connaître la sécheresse et la mort précoce de tant d'enfants, enterrés dans des fosses pleines à ras bord. Il a vu de près le pouvoir des grands propriétaires ruraux et les contrastes entre les régions très pauvres et d'autres bien riches. Il a découvert Crateus, terre de Dom Fragoso et du cher Zé Vicente. Il est allé à Goiás avec Dom Tomas Balduino. Il aimait le Brésil mais pas sa pauvreté. Il n'adhérait pas à la résignation fataliste des Brésiliens. Des expressions telles que : "C'est Dieu qui le veut", ou encore "C'est la volonté de Dieu" le dérangeait beaucoup. Il disait que Dieu ne voulait pas la misère du peuple. Il nous incitait, nous Brésiliens, à lutter et ne pas accepter passivement les règles qui venaient d'en haut.

Dans les moments de détente, il ne refusait pas une caipirinha brésilienne, avec beaucoup de citron et des glaçons.

Il était un fidèle de Notre Dame da Penha et participait à pied à chaque pèlerinage des hommes avec de nombreux pèlerins. Il connaissait la religiosité populaire des Brésiliens et la respectait.

 

4 – RESISTANT :

Gabriel n'avait pas peur de la mort et sa phrase que nous connaissons bien : "je préfère mourir pour la vie…" le place dans le camp des militants de la résistance non violente et le définit comme un prêtre qui s'oppose aux injustices et à l'exploitation que le système nous impose. Il a résisté courageusement à l'oppression du pouvoir, aux compromis, à l'égoïsme, au cléricalisme. Surtout, Gabriel a résisté à la peur. Il n'a pas fui. Il est tombé. Mais il est tombé en luttant. Il a résisté à la mort. Il a préféré rester du côté de la vie. Il a choisi de rester du vrai côté de l'histoire : du côté du peuple. Du côté de l'utopie qui, tantôt sommeille, tantôt renaît dans nos cœurs.

 

5 - INFATIGABLE :

Les journées du père Gabriel étaient très chargées. En fin de semaine il avait l'habitude de sortir très tôt pour célébrer la messe et il revenait seulement à la nuit. Et entre deux messes, beaucoup de réunions avec le conseil de la communauté, avec des équipes de service…et il trouvait encore du temps pour visiter un malade, une femme âgée, un ami. Il ne refusait jamais une réunion. Il distribuait un petit agenda de la jeunesse ouvrière et lui-même l'utilisait. Mais il était bien petit pour tant de rendez-vous.

D'une réunion en naissaient diverses autres. On voyait germer des rencontres de formation, des assemblées, dans la communauté, dans le secteur, dans celui de l'archidiocèse et à ce niveau. Gabriel ne s'arrêtait pas. Au début en bus, ensuite, avec sa Fusca. Il semblait pressé.

 

6 - EVANGELISATEUR

Il disait que tout membre d'une communauté devrait être missionnaire.

Il annonçait un Jésus Christ attaché à la vie du peuple et qui est mort en luttant pour la libération.

Il défendait une Eglise des communautés de base avec des équipes de services et des conseils organisés.

Il disait qu'une Eglise qui ne dérange pas est une Eglise d'arrangements.

Il se souciait de l'organisation des communautés ecclésiales de base. Mais la communauté ne peut pas rester fermée sur elle-même, affirmait-il. Elle doit annoncer la Parole à tous pour réaffirmer la foi. Les chrétiens doivent transmettre l'espérance. Mais il rappelait qu'en beaucoup de lieux, des personnes, des laïcs, des leaders, des religieux, des prêtres, sont persécutés, tués, torturés pour avoir défendu la cause de l'Evangile. Ce sont des personnes qui, en assumant la Croix dans sa totalité font don de leur vie jusqu'à la mort. Il semble que Gaby savait ce qui allait lui arriver.

 

7 - LEGITIME

Gabriel a laissé une trace unique dans sa façon de célébrer la foi et la vie. Il ne s'effrayait pas des menaces qu'il recevait. Très attentif aux événements de son temps, il provoquait dans les communautés des réactions et des actions concrètes en vue de changer cet état de choses. Gabriel est le frère légitime, véritable, de Jésus Christ incarné, et assurément, il est digne de figurer dans la galerie des martyrs.

Dárcio

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16 décembre 2016 5 16 /12 /décembre /2016 09:24

A la salle des fêtes de Port-Lesney, ce dimanche 18 décembre, un stand de presse vous proposera une sélection de livres édités par Karthala. S'ils vous intéressent, n'hésitez pas à les réserver.

 

 

L’itinéraire de François Glory est original à plus d’un titre. Prêtre de la Société des Missions étrangères de Paris, il était destiné aux missions en Asie. Pour son premier poste, il est envoyé au Laos en 1974. Mais à peine un an plus tard, la situation politique l’oblige, lui et ses confrères, à quitter l’Asie.

Il y a quarante ans qu’Alice Domon (Cathy en religion) a été assassinée à Buenos Aires, pour s’être solidarisée avec les Mères de la place de Mai. C’était au temps de la dictature initiée par le coup d’État militaire de 1976.

L’auteur(e) de ce livre a vécu et travaillé avec elles pendant plusieurs années. En compagnie de la cinéaste basque Audrey Hoc, créatrice du documentaire en forme de DVD qui accompagne cet ouvrage, elle a voulu retrouver les traces de leurs pas, parcourir les quartiers où elles ont partagé la vie des défavorisés.

Journal d'une fraternité.

Ce livre est le « récit au quotidien » des Petites Soeurs de Jésus qui font une analyse quasi ethnologique d'une tribu d’Indiens d’Amazonie.

 

Ce livre nous introduit dans l’histoire des Auxiliaires du Sacerdoce, une congrégation fondée entre les deux grandes guerres du XXe siècle. D’emblée, l’ouvrage est centré sur le Brésil qui va devenir l’un des terrains d’action des soeurs Auxiliaires.

Signes des Temps se fait un devoir de rééditer en un seul volume les deux témoignages des sœurs de Saint-Charles pour faire honneur à ces femmes qui ont vécu dans des conditions matérielles difficiles et qui se sont trouvées prises au cœur des mêlées politiques des pays et des populations qu’elles avaient épousées.

12 pages de cahier photos et DVD. Michel Jeanne fait partie des quelque 300 prêtres diocésains français partis outre Atlantique au titre du « Pôle Amérique latine » de l’épiscopat de France (l’ancien CEFAL).

En 1984, Teresita crée dans la Sierra équatorienne la Mission indienne Flores, ouvre un centre de formation, des jardins d’enfants, un service de santé, un accompagnement aux vieillards abandonnés. C'est l'action de cette Fille de la Charité que ce livre retrace, une vie aux côtés des Indiens Puruháes, pauvres parmi les pauvres.

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31 mai 2016 2 31 /05 /mai /2016 12:43
Lettres d'Alice DOMON

Le mercredi 1er juin 2016 à 18 heures

au Foyer Sainte Anne
16 rue d'Avanne
25320 MONTFERRAND LE CHATEAU

en présence de l’auteure.

 

39 ans après la disparition tragique d’Alice DOMON en Argentine,
Diana VIGNOLES, de nationalité argentine,
a relu les lettres envoyées par Alice à sa famille, à ses proches et amis, entre les années 1967 et 1977.

Cette période est celle de la dictature imposée par la junte militaire, entre 1973 et 1985.

Ce livre émouvant nous fait suivre l’itinéraire d’Alice, et nous interpelle par le sens de son engagement et son témoignage de vie auprès des plus pauvres, des paysans sans terre, des familles des disparus, des Mères de la place de Mai, dans la fidélité à la suite du Christ.

Avec ce livre, nous découvrons, combien ses paroles et ses actes son engagement jusqu’à la mort rejoignent l’enseignement exprimé par le Pape François dans son exhortation apostolique Evangelii Gaudium, ‘’pour une église en sortie’’, mais aussi dans sa lettre encyclique Laudato Si, ‘’pour une destination commune des biens’’


La présentation du livre sera suivie d’un débat avec l’auteure

 

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23 mars 2016 3 23 /03 /mars /2016 12:30

En union avec le groupe du 23 qui se réunit à Cariacica chaque 23 du mois...

 

É PÁSCOA !... C'EST PAQUES !...

 

- Se nos chega a notícia do nascimento de mais uma criança com saúde e aleitamento materno;

 - Si nous apprenons la naissance d'un enfant de plus, en bonne santé et nourri au sein ;

- Se uma jovem se interessa pelo bem-viver de outro jovem;

 - Si une jeune fille se préoccupe de la bonne forme d'un autre jeune ;

- Se uma idosa é compreendida e respeitada em seu jeito de ser pelas demais pessoas;

 - Si une personne âgée est comprise et respectée par les autres personnes ;

- Se os cientistas e ambientalistas nos alertam para a necessidade de salvarmos o planeta terra/Gaia do aquecimento global;
 Si les scientifiques et les écologistes nous font prendre conscience de la nécessité de sauver Gaia, la planète Terre, du réchauffement ;

Se as mulheres assumem a direção e a animação da comunidade;

 - Si les femmes prennent en charge la direction et l'animation de la communauté.

Femmes mises à l'honneur le 8 mars

Femmes mises à l'honneur le 8 mars

É PÁSCOA !... C'EST PAQUES !...

 

- Se o jovem negro assume integralmente a sua negritude e a luta pelo direito à diferença;

 - Si le jeune noir assume totalement sa négritude ainsi que le combat pour le droit à la différence,

- Se palestinos e israelenses buscam o acesso à água e água de qualidade;

 - Si Palestiniens et Israéliens recherchent (ensemble) l'accès à l'eau et à une eau de qualité ;

- Se camponeses e camponesas conquistam a terra porque a amam e buscam o alimento para si e todo o povo;

- Si les paysans et paysannes s'emparent de la terre parce qu'ils l'aiment et cherchent à se nourrir eux-mêmes ainsi que le peuple tout entier ;

- Se alguém assume a sua opção sexual e é respeitado em sua escolha na convivência comum; 

- Si quelqu'un assume son option sexuelle et si son choix est respecté par ceux avec qui il vit ;

- Se o ofendido e humilhado  perdoa seu detrator,  abrindo espaço para o diálogo que reconstrói relações;

 - Si l'offensé, l'humilié pardonne à son détracteur, ouvrant ainsi un espace pour un dialogue qui recrée des liens.

Journée de la conscience noire à Vitoria

Journée de la conscience noire à Vitoria

É PÁSCOA !... C'EST PAQUES !...

 

- Se o dependente químico reencontra o seu rumo e equilíbrio, percebendo suas forças e seus limites;

 - Si celui qui est dépendant de la drogue retrouve un but dans sa vie ainsi qu'un équilibre, prenant conscience de ses forces et de ses limites ;

- Se o estrangeiro é acolhido, inclusive no acesso ao trabalho;

 - Si l'étranger est accueilli y compris dans l'accès au travail ;

- Se a criança é acolhida na família, em sua individualidade e desabrocha em criatividade, alegria e vitalidade;

- Si l'enfant est accueilli dans la famille, dans son individualité et s'épanouit dans la créativité, la joie et la vitalité ;

- Se povos oprimidos logram liberta-se do jugo, se reconstroem enquanto povo e nação soberana;

  - Si des peuples opprimés arrivent à se libérer de leur joug, et se reconstruisent en tant que peuple et nation souveraine ;

- Se a moradora encontra a saída coletiva para os problemas de sua comunidade.

 - Si les habitants d'un quartier trouvent, ensemble, une issue aux problèmes de leur communauté.

Centre de loisirs dans le quartier Padre Gabriel à Cariacica

Centre de loisirs dans le quartier Padre Gabriel à Cariacica

É PÁSCOA !... C'EST PAQUES !...

 

- Se o desempregado obtém qualificação que lhe garante o acesso à sobrevivência digna de sua família;

 - Si celui qui est sans travail obtient une qualification qui lui garantit de pouvoir nourrir dignement sa famille ;

- Se povos indígenas têm suas terras demarcadas e homologadas pelas autoridades designadas para isto;

 - Si des peuples indigènes obtiennent la démarcation  et l'homologation de leurs terres par les autorités désignées pour cela ;

- Se grupos quilombolas reconquistam seus territórios e têm sua cultura admirada por todos;

 - Si les groupes de quilombolas reconquièrent leurs terres et si tous admirent leur culture ;

- Se a  violentada doméstica denuncia corajosamente o seu familiar e vê o processo de harmonia se reconstruir com ações concretas;

 - Si la femme violée dénonce avec courage son proche et voit des actions concrètes rétablir une situation juste ;

- Se pessoas com deficiência se auto-reconhecem em suas condições e se empoderam na construção de políticas públicas de inclusão e vida independente;

 - Si des personnes handicapées savent reconnaître leurs propres capacités et s'attaquent à la mise en place de politiques publiques d'insertion et de vie indépendante.

Banda de Congo - APAE Cariacica

Banda de Congo - APAE Cariacica

É PÁSCOA !... C'EST PAQUES !...

 

- Se sambistas cantam e sambam e assim arrastam multidões pela música e pela dança;

 - Si des danseurs chantent et dansent la samba et entraînent les foules dans la musique et la danse ;

- Se a intolerância é superada pelo entendimento e a aceitação do outro e da outra em suas diferenças;

 - Si l'intolérance est dépassée par la connaissance et l'acceptation de l'autre dans ses différences mêmes ;

- Se professores são valorizados em seus esforços de construir o conhecimento para todos;

- Si les enseignants sont valorisés dans leurs efforts pour transmettre à tous la connaissance ;

- Se a classe trabalhadora se organiza e conquista condições de vida e de trabalho dignos, avançando para sua verdadeira emancipação;

-  - Si la classe ouvrière s'organise et conquiert des conditions de vie et de travail décentes, progressant vers une véritable émancipation ;

 Se camponeses descobrem a prática da agroecologia e encontram saídas para a saúde da terra e do ser humano.

 - Si les paysans découvrent la pratique de l'agriculture écologique et trouvent des moyens pour sauver la santé de la terre et de l'être humain.

Les jeunes en action à Cariacica

Les jeunes en action à Cariacica

É PÁSCOA !... C'EST PAQUES !...

 

- Se pescadores/as e aquicultores/as recuperam a auto-estima e buscam no cooperativismo e associativismo ferramentas coletivas para uma vida sustentável;

 - Si des pêcheurs et des agriculteurs retrouvent l'estime d'eux-mêmes  et recherchent, par les coopératives et les associations, des outils pour leur souveraineté alimentaire ;

- Se moradores de rua encontram na economia solidária a luz que não havia no fundo do túnel de suas vidas tão maltratadas e discriminadas;

 - Si ceux qui habitent dans la rue trouvent dans l'économie solidaire la lumière qui leur manquait au fond de leur tunnel, alors qu'ils étaient maltraités et marginalisés ;

- Se catadores de rua são reconhecidos pela comunidade como agentes da transformação ambiental e não como sub-humanos.

 - Si les gens de la rue sont reconnus par la communauté en tant qu'acteurs de la transformation environnementale et non comme des sous–hommes.

 

Claudio VEREZA 2007.

CNG - Nova Rosa da Penha Cariacica

CNG - Nova Rosa da Penha Cariacica

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29 décembre 2015 2 29 /12 /décembre /2015 18:28

João Baptista Herkenhoff

 

O espírito natalino está incendiando a face da Terra.

Vejo com simpatia os gestos de fraternidade inspirados pela comemoração do Natal. Se resultam de um espírito puro, de uma volta para o próximo, de uma germinação de boa vontade, esses gestos fraternos merecem reverência.

São gestos que se situam num curto espaço de tempo ?

Sim, mas podem levar as pessoas e grupos que os praticam a uma reflexão mais profunda.

Que significa o presépio de Jesus?

Que pede a todos nós aquela manjedoura?

É compatível com o testamento cristão um mundo de exclusões, uma sociedade dilacerada entre os que têm tudo e os que nada têm?

Esse presépio não convoca quem é cristão a mudar tudo de lugar?

Essa manjedoura não pede a coragem de subverter para ordenar?

A Bandeira do Brasil consagra o lema Ordem e Progresso, enunciado pelo positivista Augusto Comte: O Amor por princípio, a Ordem por base, o Progresso por fim.

Ordem, na perspectiva do presépio, é estarem as coisas onde devem estar: todos os seres humanos convidados para a mesa, o trabalho, o crescimento espiritual, a esperança, a vida.

Como pode ser instituída no mundo a ordem, que a estrela de Belém reclama, sem quebrar as estruturas da desordem que dividem os humanos entre “seres” e “não-seres”?

Podem os cristãos:

não se escandalizarem em face das multidões sem casa, sem saneamento básico, grávidas sem proteção, crianças fora da escola, crianças de rua que a hipocrisia reinante chama de pivetes?

limitar as preocupações aos muros da própria casa e ainda assim declararem-se cristãos?

dar as costas para a política, como se a política tivesse de ser, por destinação, uma coisa feia?

Parece que a reflexão correta conduz a compreender que todos somos “animais políticos” como, já na velha Grécia, dizia Aristóteles.

Natal é denúncia da exclusão. Natal é apelo à inclusão. Natal é imolação de egoísmos. Não importa se construir esse universo de incluídos é tarefa de grande monta e exige muita luta. O importante é saber a direção. A estrela de Belém guia o trajeto.

No Espírito Santo o tempo de Natal relembra o assassinato do Padre Gabriel Maire (23 de dezembro de 1989).

O crime ainda não foi esclarecido. Há duas circunstâncias extremamente relevantes, envolvendo o caso:

1) o Padre Gabriel Maire era adepto da Teologia da Libertação. Denunciou a injustiça de terras urbanas sem uso social. Sua pregação mexia com interesses econômicos;

2) o sacerdote morreu portando no braço um relógio francês de grande valor, que podia ser retirado do pulso até por um aprendiz de furto. Este fato elimina a hipótese de ter ocorrido latrocínio.

 

João Baptista Herkenhoff, Juiz de Direito aposentado, professor, um dos fundadores e primeiro presidente (1976) da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória. Autor, dentre outros livros, deDireitos Humanos – uma ideia, muitas vozes (Editora Santuário, Aparecida, São Paulo).

É livre a divulgação deste artigo, por qualquer meio ou veículo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa.

 

Noël et l'esprit de Noël - Natal e espírito natalino

Message de Jean-Baptiste Herkenhoff

L'esprit de Noël embrase la face de la Terre.

(…) Que signifie la crèche de Jésus ?

Qu'est-ce que cette mangeoire nous demande à nous tous ?

Un monde d'exclusions, une société déchirée entre ceux qui ont tout et ceux qui n'ont rien, sont  ils compatibles avec l'héritage du Christ ?

Cette crèche ne demande-t-elle pas aux chrétiens de tout resituer ?

Cette mangeoire ne nous demande-t-elle pas d'avoir le courage de tout renverser pour remettre de l'ordre ?

Le drapeau brésilien arbore la devise Ordre et Progrès, énoncée par le philosophe positiviste Auguste Comte : "L'Amour pour principe, l'Ordre pour base, et le Progrès pour but". L'ordre, dans la perspective de la crèche, c'est que les choses soient là où elles doivent être : tous les êtres humains invités à la table, au travail, à la croissance spirituelle, à l'espérance et à la vie.

Comment peut-il être institué dans le monde cet ordre, que réclame l'étoile de Bethléem, sans briser les structures de désordre qui séparent les humains entre "hommes" et "sous-hommes" ?

Les chrétiens peuvent-ils :

 - ne pas être scandalisés face aux multitudes des sans logis, sans les sanitaires de base,  face aux femmes enceintes sans protection, aux enfants sans école, aux enfants des rues que l'hypocrisie régnante traite de "vauriens" ?

 - borner leurs préoccupations aux seuls murs de leur maison et alors encore se déclarer chrétiens ?

 - tourner le dos à la politique, comme si la politique ne pouvait être, par essence, qu'une chose sale ?

Il semble qu'un jugement sain conduise à comprendre que nous sommes tous des "animaux politiques" ainsi que, déjà dans la Grèce ancienne, le disait Aristote.

Noël, c'est le refus de l'exclusion. Noël, c'est l'appel à l'insertion. Noël c'est le sacrifice de nos égoïsmes. Peu importe que l'édification de ce monde d'insertion exige à la fois beaucoup d'argent et beaucoup d'efforts. L'important c'est d'en connaître la direction. L'étoile de Bethléem nous montre le chemin.

Dans l'Etat de l'Espirito Santo le temps de Noël rappelle l'assassinat du Père Gabriel Maire (23 décembre 1989).

Le crime n'a pas encore été élucidé. Il y a deux circonstances d'une extrême importance associées à ce cas :

  1. le Père Gabriel Maire adhérait à la Théologie de la Libération. Il a dénoncé l'injustice de terrains socialement inutilisés, dans la ville de Cariacica.  Ses sermons heurtaient des intérêts économiques.
  2. Le prêtre a été assassiné alors qu'il portait au poignet une montre française de grande valeur, qui aurait pu lui être retirée, même par un voleur novice. Ce fait élimine l'hypothèse d'un crime crapuleux.

 

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24 décembre 2015 4 24 /12 /décembre /2015 16:00

Pour vous souhaiter un joyeux Noël voici le message du Père Antoine GUERIN.

Le Père Antoine Guérin a collaboré avec Dom Helder Camara. De 2000 à 2004, il a été secrétaire national du Cefal, aujourd’hui le « Pôle Amérique Latine » au sein du Service National de la Mission Universelle de l’Eglise. Il vit toujours dans la région du Nordeste au Brésil.

João Pessoa le 17 décembre 2015

 

Bien chers amies et amis

 

Chaque année, je me demande si j’enverrai « la lettre de Noël »... Et tous les ans je l’écris quand même, comme geste de communion avec chacun et chacune d’entre vous. N’est-ce pas la relation qui nous fait exister les uns et les autres ?

 

Cette année se termine après bien des drames : Celui que la France a souffert au début de l’année et en novembre, provoquant une solidarité mondiale ; le terrorisme qui afflige régulièrement une partie de l’Afrique, le Moyen-Orient et certains pays d’ Asie ; ces chrétiens qui sont martyrisés ou doivent quitter leur pays dans une indifférence presque générale ; tous ces émigrés qui fuient la faim ou la violence et cherchent un pays d’accueil ; au Brésil, la rupture d’un barrage contenant les déchets d’une grande entreprise miniaire a provoqué beaucoup de morts et une polution dévastatrice sur plusieurs centaines de kilomêtres ; au Brésil, une corruption éhontée et l’insatisfaction de groupes politiques qui n’ont pas accepté leurs échecs successifs à l’élection présidentielle et font tout pour dégommer la Présidente légitimement réélue.

 

Oui, que de drames qui peut-être nous empèchent de voir les beautés de la vie, les petits gestes d’amour, les engagements de tants de personnes au service de la justice et de la paix. La COP 21, résultat d’un long travail, a fait que 195 pays sont arrivés à un accord historique. Même si tout le monde n’est pas satisfait, ce fut un pas en avant pour sauver « la Terre Mère » ! Que de merveilles se vivent partout dans le monde, autour de vous, autour de moi ! Je dois vous dire que je suis toujours émerveillé de découvrir tant de personnes, jeunes ou adultes qui donnent une bonne partie de leur temps libre au service des autres, animant des groupes, visitant des malades ou des personnes agées, s’engageant dans des associations pour améliorer notre quartier. Comme dit Saint Paul, ils ont « une foi agissant par l’amour ».

 

Le Pape François nous invite à vivre une ANNÉE DE LA MISÉRICORDE. Nous tous avons besoin de goûter la chaleur de l’amour de notre Dieu pour pouvoir la transmettre à ceux qui nous entourent... sans rien attendre en retour. Dans mon diocèse, nous invitons les personnes à devenir des missionnaires de la Miséricorde donnant de leur temps pour visiter les exclus, les laissés pour compte, les blessés de la vie.

 

Les visites de mon frère Hervé et de sa femme Marie-Noël, celle de Quentin, un de mes nombreux petits neveux m’ont beaucoup réjouis. C’est toujours une richesse de pouvoir partager !

 

La fête de Noël vient nous rappeler à quel point notre Dieu a voulu se faire proche de nous, se faisant petit, pauvre, rejeté, incompris, humilié. C’est pendant une nuit de Noël que le Père Antoine Chevrier, le fondateur du Prado, s’est converti en contemplant la crêche et s’est décidé à suivre Jésus de plus prés. Je souhaite à chacun de vous de découvrir ce chemin de vie et de joie. Ainsi l’année 2016 sera plus belle.

 

Vous êtes tous présent dans mon coeur. Je vous souhaite un Noël d’espérance et une année nouvelle pleine de ... miséricorde.

Avec toute mon affection et l’assurance de ma prière.

Antoine Guérin

 

Message de Noël - Carta do Natal - P. Antoine GUERIN

Meus queridos amigos e amigas

 

Este ano está chegando ao final. Quantos dramas foram vividos no nosso país e no mundo: o criminoso desastre da barragem de Mariana que matou dezenas de pessoas e levou a poluição sobre centenas de quilômetros, impedindo às pessoas de poder cultivar qualquer coisa; a corrupção vergonhosa de pessoas que utilizam para si o que é do nosso povo; o golpismo de grupos políticos que não aceitaram as derrotas sucessivas na eleição presidencial e querem tirar da presidência aquela que foi eleita legitimamente; o terrorismo que mata inocentes em tantas partes do mundo; os milhares de cristãos martirizados por causa da sua fé; os migrantes que fogem da terra deles por causa de fome ou da violência e procuram países que aceitem os acolher.

 

Estes dramas nos impedem, talvez de enxergar as belezas da vida, os pequenos gestos de amor, o engajamento de tantas pessoas à serviço da dignidade, da justiça e da paz. A COOP 21 foi o resultado dum longo trabalho de militantes: 195 países chegaram a um acordo histórico. Mesmo se todo o mundo não foi satisfeito, se deu aí um grande passo para salvar a Mãe Terra, a Casa Comum, como diz o Papa Francisco na sua linda carta “Louvado sejas”. Quantas maravilhas se vivem em toda parte, ao redor de cada um de nós! Sempre fico maravilhado de descobrir nas comunidades do Alto do Mateus jovens e adultos que dão uma boa parte do seu tempo à serviço dos outros, animando grupos, visitando doentes e idosos, participando de associação e conselhos para melhorar a vida do nosso bairro. Como diz São Paulo, eles têm “uma fé agindo pelo amor”.

 

O Papa Francisco nos convida a viver o ANO DA MISERICÓRDIA. Todos nós precisamos experimentar o calor do amor de nosso Deus para poder transmiti-lo as pessoas com quem vivemos ou que encontramos... sem esperar nada em troca. Na nossa Arquidiocese da Paraíba convidamos as pessoas a tornarem-se missionários da Misericórdia, aceitando visitar excluídos, feridos da vida, os sem voz e sem vez e participando das lutas do povo para melhorar nossas condições de vida.

 

A festa do Natal nos lembra como Deus quis ser próximo de nós, tornando-se pequeno, pobre, excluído, humilhado. Desejo que cada um e cada uma de vocês possa descobrir melhor o caminho de vida e de alegria que Jesus está nos propondo. Assim o ano 2016 será mais bonito!

 

Vocês estão presentes no meu coração. Que este Natal seja de Esperança e o Ano Novo cheio de... misericórdia!

Conte com minha amizade e minha oração.

Com abraços e beijos.

Antônio Maria  

 

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23 avril 2015 4 23 /04 /avril /2015 15:17

Le groupe du 23 se réunit à Vitoria, chaque 23 du mois. Nous nous associons à eux pour faire mémoire du Padre Gabriel assassiné le 23 décembre 1989. Merci à Darcio qui a envoyé ce texte pour Pâques et à Claudette qui l'a traduit.

 

Creio em ti companheiro

Cristo humano, Cristo obreiro 

que da morte és vencedor.

 

Com o teu sacrifício imenso

criaste o homem novo 

para a libertação.

 

E estás ressuscitando 

em cada braço que se levanta

para defender o povo 

do domínio explorador.

 

Porque estás vivo no rancho, 

na fábrica na escola.

Creio na tua luta sem trégua 

creio na tua ressurreição.

Photo prise le 23 novembre 2014

Photo prise le 23 novembre 2014

Le Credo de la Missa Campesina

 

Je crois en toi, compagnon

Christ homme, Christ ouvrier

Qui de la mort est vainqueur.

 

Avec ton sacrifice incommensurable

Tu as créé l'homme nouveau

Pour le libérer,

 

Et tu continues à ressusciter

En chaque bras qui se lève

Pour défendre le peuple

Contre la domination de ceux qui l'exploitent.

 

Parce que tu es vivant dans la masure,

A l'usine et à l'école

Je crois en ta lutte sans trêve

Je crois en ta résurrection.

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3 janvier 2014 5 03 /01 /janvier /2014 20:43

Envoyé par Carlita le 17 décembre 2013.

Mandela
 

Nelson Mandela, par sa mort, a plongé dans l'inconscient collectif de l'humanité, pour ne plus jamais en sortir, parce qu'il est devenu un archétype universel de la victime de l'injustice qui n'a pas gardé rancune, qui a su pardonner , réconcilier des pôles antagonistes et nous transmettre une espérance indicible à savoir que l'être humain peut encore s'en sortir. Après avoir passé 27 années en prison, avoir été élu président de  l'Afrique du Sud en 1994, il a proposé et relevé le grand défi de transformer une société structurée dans l'injustice suprême de l'apartheid (qui déshumanisait les grandes majorités noires du pays, les condamnant à être des non-personnes) en une société unique, unie, sans discriminations, démocratique et libre.

Et il y a réussi en choisissant le chemin du courage, du pardon et de la réconciliation. Pardonner n'est pas oublier. Les plaies sont là, beaucoup d'elles encore ouvertes. Pardonner, c'est ne pas permettre que l'amertume  et l'esprit de vengeance aient le dernier mot et deviennent le but de la vie .Pardonner c'est libérer les personnes des des entraves du passé, c'est tourner la page et commencer à en écrire une autre, à quatre mains, mains de noirs et de blancs. La réconciliation est possible et réelle seulement quand il y a une reconnaissance complète des crimes de la part de leurs auteurs et une pleine connaissance de ce qui s'est passé de la part des victimes. La punition des criminels est la condamnation morale devant la société tout entière.

Une solution parmi d'autres, assurément très originale, implique un concept qui est étranger à notre culture individualiste : l'Ubuntu, qui veut dire : "je peux être moi-même seulement  par toi et avec toi". Donc, sans un lien permanent qui nous lie tous à tous, la société, telle la nôtre, courra le risque de déchirures et de conflits sans fin.

Dans les manuels scolaires du monde entier devra figurer cette affirmation profondément humaine de Mandela : "J'ai lutté contre la domination des blancs et j'ai lutté contre la domination des noirs. J'ai cultivé l'espérance d'un idéal, celui d'une  société démocratique et libre, dans laquelle toutes les personnes vivent unies et en harmonie et ont des opportunités égales. C'est un idéal que j'espère atteindre et pour lequel je veux vivre. Mais, s'il le faut, c'est un idéal pour lequel je suis prêt à mourir".

Pourquoi la vie et la saga de Mandela fonde-t-elle l'espoir d'un avenir de l'humanité et de notre civilisation ? Parce que nous touchons maintenant au noyau central d'une accumulation de crises qui peut menacer notre avenir en tant qu'espèce humaine. Nous sommes en plein dans la sixième grande extinction de civilisation.(1) Des spécialistes du cosmos (Brian Swimme) et des biologistes (Edward Wilson) nous avertissent que, au train où vont les choses, nous arriverons, autour des années 2030, au paroxysme de ce processus dévastateur. Cela veut dire que la croyance persistante dans le monde entier, et aussi au Brésil, de ce que la croissance économique matérielle devrait entraîner le développement social, culturel et spirituel, est une illusion. Nous vivons des temps de barbarie et sans espérance.

Je cite l'impartial Samuel P. Huntington, ancien assesseur du Pentagone et analyste perspicace du processus de globalisation, à la fin de son livre : "Le choc des civilisations" : "La loi et l'ordre sont la première condition de la civilisation ; dans une grande partie du monde elles semblent disparaître ; sur l'ensemble du monde, la civilisation paraît, à bien des égards, faire place à la barbarie, faisant surgir l'image d'un phénomène sans précédent, un Age de Ténèbres mondiales, qui s'abat sur l'Humanité." (1997 : 409-410).

J'ajoute l'opinion du philosophe et savant politique bien connu Norberto Bobbio qui, comme Mandela, mettait sa confiance dans les droits de l'homme et dans la démocratie  comme valeurs pour résoudre le problème de la violence entre les Etats et pour arriver à une coexistence pacifique. Dans sa dernière interview il a déclaré : "Je ne saurais dire comment sera le troisième Millénaire. Mes certitudes s'effondrent et seulement un énorme point d'interrogation ébranle ma tête : sera-t-il le Millénaire de la guerre d'extermination ou celui de la concorde entre les êtres humains  ? Je  ne détiens pas les conditions nécessaires pour répondre à une telle recherche". En face de ces sombres scénarios, Mandela répondrait certainement, se fondant sur son expérience politique : oui, il est possible que l'être humain se réconcilie avec lui-même, qu'il superpose sa dimension de sapiens à celle de demens et inaugure  une nouvelle forme du vivre ensemble dans la même Maison. Peut-être sont-elles justes ces paroles de son grand ami l'archevêque Desmond Tutu, qui a coordonné le processus de  "Vérité et Réconciliation": "Ayant regardé le passé monstrueux les yeux dans les yeux, ayant demandé et obtenu le pardon et ayant fait des corrections, tournons maintenant la page – non pour oublier ce passé, mais pour ne pas permettre qu'il nous emprisonne pour toujours. Avançons vers un avenir glorieux : une société nouvelle où la valeur des personnes ne relèvera pas de données biologique, ou d'autres très singuliers attributs, mais parce que ce sont des personnes d'une valeur infinie, créées à l'image de Dieu".

Mandela nous laisse cette leçon d'espérance : nous vivrons encore si, sans discrimination, nous mettons en pratique, réellement, l'Ubuntu.

Leonardo BoffL.-Boff.jpg

 

(1) Roland Marchand nous explique (sous réserve d'inventaire !) que c'est une allusion aux grandes extinctions des espèces vivantes ; la 5ème, celle des dinosaures, ayant eu lieu il y a 60 Millions d'années. 

La 6ème, qui se profile, serait celle de l'espèce humaine ! ! !

Merci, Roland.

 

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6 février 2013 3 06 /02 /février /2013 22:18

Une stratégie efficace à soutenir...

 

Lire la lettre de Ziad MEDOUKH datée du 31 janvier

 

sur le site Palestine Solidarité

 

ziad.jpg 

"Nous, Palestiniens, devons nous organiser, être à la hauteur de nos espérances, à la hauteur des espérances de tous ceux qui partout dans le monde sont solidaires de notre cause. Nous essayons de proposer une alternative par la non-violence, même si l'occupation israélienne poursuit sa politique agressive et violente contre notre peuple." (extrait)

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26 décembre 2012 3 26 /12 /décembre /2012 22:07

Antoine M. Guérin                          João Pessoa le 15 décembre 2012

Caixa Postal 34

58.010 – 970 – João Pessoa – PB

BRÉSIL

Émail : antonio.guerin@gmail.com

 

                        Mes chers amis et amies

 

                        Que de fois, j'ai entendu des personnes me citer ce proverbe : « Loin des yeux, loin du cœur ». Je dois vous dire que ce n'est pas mon cas, car je me sens en profonde communion avec chacun et chacune d'entre vous, même si je ne me communique pas beaucoup et même parfois ne répond pas à vos lettres !... La foi, la prière nous permettent d'être en lien d'une autre manière.

            Alors que vous souffrez, sans doute, du froid de l'hiver de l'hémisphère nord, ici c'est l'été tropical avec les conséquences dramatiques de la sécheresse dans une bonne partie de l'intérieur du Nordeste : pas de récoltes et une grande quantité de bovins et caprins morts de soif et de faim.

            La grave crise qui touche l'Europe ne nous a pas atteint. La Présidente du Brésil, Dilma. s'est engagée à éliminer la misère dans les prochaines années. Comme nous aimerions que ce rêve se réalise ! Car, même si la situation de beaucoup de gens s'est améliorée  ces dernières années, il y a beaucoup à faire pour que tous aient accès à une vie digne. Dans notre quartier, nous répartissons les aliments apportés à l’occasion des Messes,  avec les familles qui n’ont pas de quoi manger...

            Cela fait 15 mois que je suis dans ce quartier du «Alto do Mateus». Que de liens se sont créés avec ce que j’appelle ma famille brésilienne, si accueillante et chaleureuse ! Que se soit avec les enfants, les jeunes, les personnes âgées et leurs familles, nous vivons ensemble de beaux moments de partage et d’enrichissement mutuel.

            Presque chaque semaine, nous nous retrouvons avec le Père Paulo et Josinaldo, diacre permanent très dynamique. Ce sont de riches soirées, dans la maison d’un des membres du trio, où nous partageons un  repas, prions et abordons les différents défis humains et religieux qui se présentent régulièrement. Cette équipe est vraiment un don de Dieu.

            Nous valorisons la vie des différentes communautés qui ont chacune un conseil pastoral et une équipe qui coordonne les différentes activités. Nous donnons une priorité aux adolescents et jeunes. Leur Confirmation qui a eu lieu en mai apporte de beaux fruits, car beaucoup d’entre eux s’engagent dans les communautés et se sentent responsables des autres jeunes qui risquent d’être happés par la drogue et l’alcool, source de violence et de désintégration des familles. Avec joie, nous attendons un groupe de jeunes de Nevers qui passera une douzaine de jours dans notre quartier avant de rejoindre Rio de Janeiro pour les JMJ. Ce séjour permettra un enrichissement mutuel.

Dans plusieurs parties du quartier, les trafiquants de drogue font la loi, ce qui fait que les activités ne peuvent se faire que pendant le jour. Avec les habitants d’un de ces endroits nous allons essayer de construire une salle qui servira de lieu de rencontre et de prière.

De plus en plus, nous célébrons dans les rues et sur les places, faisant en sorte que l’Église soit plus proche des personnes. L’autre jour, un jeune après une Messe célébrée sur une place est venu me remercier en disant : « J’avais besoin de cette Messe. Vous êtes arrivé à temps ». Un adulte est venu me dire : « Nous avons besoin de tels moments, cela nous ravigote! »

La fête de Noël est un beau moment pour nous ouvrir à l’espérance. Je sais que la crise que vous connaissez en Europe est angoissante pour beaucoup d’entre vous : le chômage, l’avenir incertain, un pessimisme qui rejette des groupes humains (les émigrés, les Roms) ou religieux (les musulmans) comme s’ils étaient la cause de tous les maux. On dit au Brésil que « L’Espérance est la dernière qui meurt ». De fait, Noël vient nous rappeller que notre Dieu est là, il partage notre vie, nos angoisses, nos peurs, nos espoirs et nos joies.

Je vous souhaite un Noël de lumière et de paix pour que l’année nouvelle soit belle.

 

Avec toute mon amitié.

                                                                                              Antoine Guérin

 

     N.B. Si vous êtes au Facebook, nous pourrons nous y rencontrer.

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25 décembre 2012 2 25 /12 /décembre /2012 22:20
Lulu a laissé ce message sur mon répondeur téléphonique dimanche matin. Mais je ne l'ai écouté que le soir, après notre journée d'amitié.
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24 septembre 2012 1 24 /09 /septembre /2012 21:41

Il y a bien des siècles, Dame Europe s'est libérée de la tutelle de Sire Féodal, auquel  elle avait été soumise pendant mille ans. Le cerveau façonné par Copernic, Galilée et Descartes, elle a épousé le Seigneur Moderne Libéral et s'est installée dans le quartier de la Démocratie.

Dame Europe a retiré le tapis rouge déroulé pour les nobles, a renvoyé le pape à ses affaires et a élu constitutionnellement des gouvernements qui ont substitué la monnaie au troc, évité d'utiliser la main d'œuvre esclave et transformé les paysans de naguère en ouvriers méritant salaire.

Dame Europe en est venue à nourrir des ambitions démesurées. Elle a regardé avec de grands yeux l'immense mappemonde qui ornait sa salle à manger. Que de richesses dans ces terres habitées par des indigènes ignorants ! Que de surfaces cultivables couvertes par une nature exubérante et paradisiaque !

Dame Europe a mis sa flotte à la mer afin d'aller à la recherche des richesses situées en terres étrangères. Les navigateurs ont envahi des terres, saccagé des villages, répandu des épidémies, extrait des métaux précieux et ont dressé des barrières là où tout, jusqu'alors, était mis en commun.

Dame Europe a pratiqué, chez d'autres peuples, ce qu'elle se refusait à faire dans sa propre maison : elle a imposé des empires, des royaumes et des dictateurs ; elle a empêché l'accès à l'alphabétisation ; a mis en place le travail esclave ; a interdit l'industrialisation ; a internationalisé les normes économiques qui lui étaient favorables, au détriment des peuples de cette autre partie du monde.

Un des peuples d'outremer dominés par Dame Europe a osé se rebeller en 1776, s'est émancipé de cette tutelle et est devenu plus puissant qu'elle : l'Oncle Sam.

Le professeur Machiavel a appris à Dame Europe que, lorsqu'on ne peut pas vaincre l'ennemi, il vaut mieux s'en faire un allié. Elle s'est donc associée avec l'Oncle Sam afin de dominer le monde.

Dame Europe et l'Oncle Sam ont accumulé tant de fabuleuses richesses qu'ils ont cédé à l'illusion que le luxe et l'ostentation dans lesquels ils vivaient seraient éternels. Dans leurs maisons, tout est merveilleux. Et leurs monnaies resplendissent au-dessus de toutes les autres.

Bon, il n'y a pas de maison sans fondations, pas d'arbre sans racines, de richesse sans support. Pour maintenir le style de vie auquel ils se sont accoutumés, Dame Europe et l'Oncle Sam ont dépensé au-delà de leurs possibilités. Et, soudain, ils ont constaté que des dettes astronomiques les écrasaient. Que faire alors ?

La première mesure fut celle que l'on utilise dans les avions en cas de turbulence : on attache les ceintures. Non pas leurs ceintures à eux, c'est évident. Mais celles de leurs employés : ils en ont renvoyé quelques-uns, ont réduit le salaire d'autres, on arrêté de consommer des produits d'importation. Ainsi la crise de ces deux pays s'est étendue au monde alentour.

Dame Europe et l'Oncle Sam ne sont pas idiots. Ils savent où se loge l'argent : dans les banques. Oncle Sam, constatant la voie d'eau dans son économie, s'est mis à faire tourner la planche à billets et est venu ainsi au secours des banques avec un montant astronomique de dollars US.

Dame Europe a plusieurs filles. D'après elle, certaines n'ont pas bien su gérer leur fortune. L'éblouissante Grèce semble avoir perdu sa sagesse. Elle a dépensé beaucoup plus qu'elle ne le pouvait. De même pour la séduisante Italie, l'enchanteresse Espagne et la timide Irlande.

Comme le coffre de la famille est mis en commun, de nombreux malheurs se sont abattus sur Dame Europe. Elle a puni ses filles dépensières et a fait appel à la plus riche d'entre elles, la sévère Allemagne, pour l'aider à venir au secours de celles qui s'étaient endettées.

L'Allemagne est rusée. Elle a dit qu'elle ne viendrait au secours de ses sœurs que si elle pouvait contrôler leurs dépenses. Ce qui signifie couper les petites ailes de ces jeunes filles – ce qui, en politique, équivaut à annuler leur souveraineté.

Aujourd'hui, dans la maison de Dame Europe, seule est souveraine la pudique Allemagne. Le reste de la famille est en état de dépendance et sanctionné. La plus attrayante des filles, la France, joue les rebelles. Après s'être affichée main dans la main avec l'Allemagne, maintenant qu'elle s'est trouvé un nouvel amoureux, elle regarde sa sœur avec méfiance.

Nous qui sommes ici au sud du monde, qui n'avons pas encore coupé le cordon ombilical avec l'Oncle Sam ni avec Dame Europe, nous courons le risque de rester coincés si Dame Europe continue à tant éternuer, allergique qu'elle est au spectre d'un avenir ténébreux : l'agonie et la mort du dieu Marché dont les fidèles dévots plongent dans une profonde crise de scepticisme.

Frei Betto, Adital 16 juillet 2012 (Traduction)

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2 juin 2012 6 02 /06 /juin /2012 16:37

Ce samedi après-midi, lors de l'assemblée générale des Amis de Gabriel MAIRE, tenue à Port-Lesney, Pierre Crevoisier est venu témoigner de son voyage au Brésil en juillet 2011.

Du 2 au 18 juillet 2011, 18 personnes de Bourgogne et Franche-Comté, sont partis au Brésil à la rencontre des partenaires du CCFD-Terre Solidaire.

Marie-Anne Chalumeau, présidente de la délégation du CCFD du Jura n'a pas pu répondre à notre invitation et c'est donc Pierre du Doubs, que nous avons eu plaisir d'écouter.

 

Pierre-C.jpg

 

Un blog relate leur voyage et sa préparation : YAPLUKA !

 

Yapluka cliquer pour lire leur journal de bord.

Merci à Pierre pour ce témoignage.

 

On peut aussi retrouver des échos de ce voyage sur le blog de Témoignage Chrétien, racontés par François, un autre Franc-Comtois.

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2 avril 2012 1 02 /04 /avril /2012 20:39

Henri Burin des Roziers nous invite à lire cette interview parue dans la Croix le 23 mars 2012


tp://www.la-croix.com/Religion/S-informer/Actualite/Gustavo-Gutierrez-pere-de-la-theologie-de-la-liberation-_NP_-2012-03-23-781578
 

Il est l’un des théologiens les plus importants du XXe  siècle. Le dominicain péruvien explique pourquoi il a consacré sa vie à la rencontre de Dieu et du pauvre

Il s’est avancé, un peu las, un peu ailleurs, a posé sur un coin de table sa canne noire qui ne le quitte pas, s’est assis. De passage à Paris à l’occasion des cinquante ans du Comité épiscopal France-Amérique latine (CEFAL), Gustavo Gutiérrez, considéré comme le « père » de la théologie de la libération, a déjà rencontré des missionnaires, des étudiants et des professeurs de l’Institut catholique de Paris, des responsables du Secours catholique, des partenaires du CCFD.

Ce matin, dans le grand salon de la maison provinciale des Sulpiciens où il séjourne, il évoque à nouveau cette théologie qui a profondément marqué l’Église latino-américaine. En revanche, parler de lui n’est pas dans ses habitudes. Pourtant, en cette matinée où le printemps éclaire les murs vieillots de la pièce, ce petit homme simple et attachant accepte de faire le récit de sa vie. La rencontre a duré près de trois heures. Elle aurait pu se poursuivre. Gustavo Gutiérrez n’était plus fatigué.

Né à Lima (Pérou), il a tout juste 12 ans lorsqu’une ostéomyélite le cloue au lit plusieurs années. « Il n’y avait pas d’antibiotiques. J’étais élève chez les frères maristes. J’ai dû quitter l’école. »  Il étudie à la maison, joue aux échecs, lit. « Mon père était un grand lecteur , se souvient-il. Il m’a sans doute influencé. Je dois également tenir de lui pour le sens de l’humour dont il faisait toujours preuve malgré nos difficultés. » 
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« J’ai choisi de devenir prêtre »

À 15 ans, il découvre ainsi Pascal, qui le marque durablement. Et peu après, Histoire du Christ  de Giovanni Papini, qui le touche profondément. Il s’intéresse aussi à la philosophie et à la psychologie, via les écrits de Karl Jaspers et d’Honorio Delgado. 

Le désir de devenir prêtre, qui l’a habité au début de sa maladie, l’a alors quitté. Il a néanmoins rejoint, à 14 ans, le Tiers-Ordre franciscain. « La pauvreté était déjà présente dans ma vie d’enfant de famille modeste, marginalisé par la maladie, et dans mes choix » , constate-t-il aujourd’hui.

À 18 ans, il peut enfin aller à l’université pour y étudier la médecine (avec le désir de devenir psychiatre), ainsi que la philosophie. « Membre du mouvement universitaire catholique, je participais activement à la vie politique universitaire , se souvient-il. C’est alors que j’ai ressenti dans ma vie des questions interrogeant ma foi. À 24 ans, j’ai choisi de devenir prêtre. L’évêque de Lima, me considérant trop vieux pour le séminaire, m’a envoyé en Europe. »  

À Louvain, il apprend le français, écrit une thèse sur Comment Freud est arrivé à la notion de conflit psychique . Puis il rejoint Lyon pour faire sa théologie. « C’était , relate-t-il, une période difficile dans l’Église de France, mais très riche, qui m’a permis de rencontrer Albert Gelin (dont les travaux sur « les Pauvres de Yahvé » ont orienté mes recherches), Gustave Martelet et des dominicains (Marie-Dominique Chenu, Christian­Duquoc…, ainsi que ceux de ma génération comme Claude Geffré).   

 Bien des années plus tard, lorsque je prendrai la décision d’entrer dans l’Ordre des prêcheurs, l’un de mes amis d’alors, le P. Edward Schillebeeckx, dominicain flamand, m’écrira une lettre qui commençait par : “Finalement !” »  

« Vivre en solidarité avec les pauvres »

En attendant, ordonné prêtre, Gustavo Gutiérrez regagne le Pérou. Nommé dans une paroisse du quartier pauvre de Rimac à Lima et aumônier des mouvements chrétiens, il se consacre à son travail pastoral, tout en donnant des cours à l’université catholique. Mais déjà, une question le hante : comment dire au pauvre que Dieu l’aime ?

En mai 1967, deux ans après le Concile auquel il a participé, il l’abordera devant des élèves de l’université de Montréal, en distinguant pour la première fois trois dimensions de la pauvreté. La pauvreté réelle de tous les jours : « Elle n’est pas une fatalité , explique-t-il, mais une injustice. ».  

La pauvreté spirituelle : « Synonyme d’enfance spirituelle, elle consiste à remettre sa vie entre les mains de Dieu. »  La pauvreté comme engagement : « Elle conduit à vivre en solidarité avec les pauvres, à lutter avec eux contre la pauvreté, à annoncer l’Évangile à partir d’eux. »  

Pour expliquer la suite, il prend son temps, veille à ne sauter aucune étape. « L’année suivante, je devais prononcer une conférence à Chimbote au Pérou. On m’avait demandé de parler de théologie du développement. J’ai expliqué qu’une théologie de la libération était plus appropriée. »  Ce langage théologique, qui prend en compte la souffrance des pauvres, va inspirer les évêques réunis à Medellin (Colombie) pour la deuxième conférence de l’épiscopat latino-américain (Celam).

Théologie de la libération

En mai 1969, Gustavo Gutiérrez se rend au Brésil qui vit alors les heures les plus sombres de la dictature militaire. Il y rencontre des étudiants, des militants de l’action catholique, des prêtres, dont les témoignages vont enrichir sa réflexion qui aboutit à son œuvre maîtresse : Théologie de la libération . « Avant le Concile , précise-t-il, Jean XXIII avait annoncé : l’Église est et veut être l’Église de tous, et particulièrement l’Église des pauvres. »  

Les pères conciliaires, préoccupés par la question de l’ouverture au monde moderne, ont un peu oublié. En Amérique latine, cette intuition a été reprise. Les pauvres commençaient à se faire entendre. « Nous étions alors un certain nombre à y voir un  signe des temps qu’il fallait scruter, comme le demande la constitution  Gaudium et spes. En raison de mon âge, de ma présence au Concile et à Medellin, c’est moi qui ai fait œuvre de théologien. Cela aurait pu être un autre. »  

La libération dont parle Gustavo Gutiérrez n’est pas un programme politique. Elle se situe à trois niveaux qui s’imbriquent. Le niveau économique : il faut s’attaquer aux causes des situations injustes. Le niveau de l’homme : il ne suffit pas de changer les structures, il faut changer l’homme. Le niveau le plus profond, théologal : il faut se libérer du péché qui est le refus d’aimer Dieu et son prochain. 

Quant à la théologie, elle est le moyen de vérifier que l’engagement avec les pauvres est une tâche évangélique de libération, une réponse au défi que la pauvreté pose au langage sur Dieu. Cette théologie se révèle contagieuse. Aux États-Unis dans la minorité noire, en Afrique, en Asie, des théologies des tiers-mondes s’éveillent, portées par un souffle nouveau.

« Leur vie pour les pauvres »

Mais elle se heurte aussi à des oppositions. Les plus violentes viennent des pouvoirs économiques, politiques et militaires, en Amérique latine comme aux États-Unis. Mais elles sont aussi le fait de catholiques qui l’accusent de faire appel, pour analyser certains aspects de la pauvreté, à la théorie de la dépendance qui utilisait des notions provenant de l’analyse marxiste.

Lors de la conférence du Celam à Puebla (1979) qui confirme la vision de Medellin et parle « d’option préférentielle pour les pauvres » , des résistances se manifestent au sein même de l’Église latino-américaine. « Medellin , reconnaît Gustavo Gutiérrez, a été une voix très prophétique qui a provoqué des engagements et des résistances. Mais quand une Église est capable d’avoir parmi ses membres des gens qui donnent leur vie pour les pauvres, comme Mgr Oscar Romero et tant d’autres, il y a quelque chose d’important qui arrive à cette Église ! »  

La théologie de la libération va aussi souffrir des positions du Vatican. En 1984, elle est en effet sévèrement critiquée par la congrégation pour la doctrine de la foi, dont le cardinal Ratzinger était alors le préfet. Gustavo Gutiérrez, comme d’autres, devra s’expliquer. En 2004, au terme d’un processus de « dialogue » de vingt années, le maître de l’ordre dominicain recevra une lettre dans laquelle le cardinal Ratzinger « rend grâce au Très Haut pour la satisfaisante conclusion de ce chemin de clarification et d’approfondissement ».  

Entre travail pastoral et cours de théologie

 « Durant ces années, je pouvais quand même prêcher l’Évangile dans ma paroisse » , précise Gustavo Gutiérrez, qui se consacre alors aussi à ses recherches sur Bartolomé de Las Casas – « un génie spirituel , dit-il, qui a su voir dans l’Indien le pauvre selon l’Évangile »  – poursuit son œuvre théologique et suit de près « la nouvelle présence des femmes, puis des Indiens, sur la scène de l’histoire, de la pensée, dont ils étaient les absents » .

Aujourd’hui, il réside au couvent des dominicains de Lima. Il partage son temps entre son travail pastoral, les retraites qu’il prêche, les cours de théologie qu’il donne à l’université de Notre-Dame (Indiana, États-Unis) et au Studium dominicain à Lille. 

Mais inlassablement, il poursuit également son œuvre théologique, tout en lisant beaucoup, y compris les poètes. « La poésie est le meilleur langage de l’amour , confie-t-il. Faire de la théologie, c’est aussi écrire une lettre d’amour à Dieu, à l’Église que je sers et au peuple auquel j’appartiens. »  

Il achève actuellement un livre consacré à l’option préférentielle pour les pauvres. « La théologie de la libération peut disparaître , assure-t-il, mais s’il reste cette préférence pour les pauvres, nous aurons gagné quelque chose d’important, profondément lié à la Révélation. »  

Puis il ajoute, avec sur le visage comme une gravité claire : « La pauvreté et ses séquelles sont toujours le grand défi de notre temps en Amérique latine et dans bien d’autres endroits du monde. Pratiquer la justice, travailler à la libération des hommes, c’est parler de Dieu. C’est un acte d’évangélisation. »  

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REPERES

Gustavo Gutiérrez en quelques dates

1928 : naissance à Lima.

1951-1955 : études au séminaire Léon XIII à Louvain.

1955-1959 : études de théologie à Lyon. Ordonné prêtre en 1959.

1960 : curé de Saint-François de Paule à Lima. Aumonier des mouvements chrétiens.

1965 : participe à la dernière session de Vatican II. Du 25 août au 6 septembre 1968 : conseiller théologique de la deuxième conférence du Celam à Medellin.

1971 : parution de Théologie de la libération. Puis La Libération par la foi (1985). La Force historique des pauvres (1986). Job, parler de Dieu à partir de la souffrance de l’innocent (1987).

1992 : parution de Dieu ou l’or des Indes occidentales.

2001 : fait profession dans l’ordre des Prêcheurs au couvent dominicain du Saint-Nom à Lyon. Profession solennelle en 2004.

17 septembre 2004 : une lettre du cardinal Ratzinger met fin à vingt années de « dialogue » avec Rome pour clarifier ses écrits.

Martine de SAUTO   
 

 

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10 mai 2011 2 10 /05 /mai /2011 10:55

 

« Du levain pour demain », association née en novembre 2009 fut créée pour accompagner les Sœurs Auxiliaires du Sacerdoce au Brésil et préparer, comme son nom l’indique, l’avenir avec elles. Faire connaître leur engagement, partager leur aventure, témoigner en faveur des valeurs qui les animent et soutenir financièrement les besoins en formation de jeunes sœurs sont les buts de cette association 1901 doublement originale puisqu’elle associe religieuses et laïcs d’une part, brésilien(nes) et français(es) d’autre part. Les sœurs Auxiliaires du Sacerdoce- congrégation immergée en France dans les milieux populaires- sont arrivées au Brésil dans l’enthousiasme du concile Vatican II. Je pourrais presque dire- par raccourci bien sûr- que le point de départ fut la date du 16 novembre 1965 où quarante évêques en majorité latino-américains, sous l’impulsion d’Helder Camara, se sont réunis à Rome en signant ce qui s’est appelé le « Pacte des catacombes ». Ils s’engageaient, une fois de retour dans leurs diocèses, à vivre dans la pauvreté sous toutes ses formes. Ce fut une époque de création, un moment rare de l’histoire en empathie avec l’Esprit Saint qui nous est échu en héritage.

Les sœurs au Brésil tout comme celles de France vivent dans cet esprit et assument cet héritage. Le rôle de notre association est de témoigner que les valeurs que vivent les Auxiliaires du Sacerdoce au quotidien : l’option pour les pauvres, la conjugaison de la Foi et de la Vie, la transmission à tous du message biblique et une solidarité fraternelle, sont importantes et continuent de faire sens en dépit des tendances actuelles de notre société. Au nombre d’une douzaine approximativement, elles sont réparties en trois communautés dans les états du « nordeste » brésilien : Aracaju, Salvador et Valença.                                                                                                                                       >

> Des similitudes ne manquent pas de frapper entre l’association « Les Amis de Gabriel Maire » et celle « Du Levain pour Demain ». Toutes les deux témoignent en faveur d’hommes et de femmes qui ont mis l’évangile dans leur vie sachant que cet engagement peut conduire au martyre comme pour Gabriel Maire.

J’ai envie de dire ici à tous les « Amis de Gabriel Maire » que votre combat pour entretenir la mémoire de Gaby est un encouragement à la résistance et au sursaut des énergies. Plus de vingt ans après son assassinat les problèmes de la terre sont toujours d’une brûlante actualité dans le Brésil d’aujourd’hui. C’est souvent le combat d’une agriculture familiale contre une agriculture industrielle qui dévaste le pays pour le profit de quelques uns. C’est le combat de pauvres gens contre des puissants qui les spolient de leurs terres.

Surtout que ne meure pas le souvenir.

Gérard Aleton, président de l’association « Du Levain pour Demain »

Dans EV n°77

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1 janvier 2011 6 01 /01 /janvier /2011 19:02

Pour commencer cette nouvelle année, nous voulons vous partager cette vidéo d'un flash mob qui circule dans le monde entier... dont le Brésil.

Que cette année soit pleine de surprises, de ces surprises qui nous mettent le coeur en joie !

 

 

 

Vous retrouverez cette vidéo sur YouTube.

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29 décembre 2010 3 29 /12 /décembre /2010 09:09

 Occupant la place centrale de ma salle de séjour, un tableau impressionnant d'un peintre polonais présente Tolstoï (1828-1910) dans les bras du Christ couronné d'épines. Il est habillé en moujik et semble (…) comme pour symboliser l'humanité entière qui parvient à ce baiser de paix après des millions d'années du cheminement laborieux de son évolution. C'est un cadeau que j'ai reçu du président de l'assemblée de l'ONU de l'époque : Miguel d'Escoto Brockmann, fervent disciple du père du pacifisme moderne. Le 20 décembre on a célébré le centenaire de sa mort en 1910. Il mérite d'être rappelé non seulement comme l'un des écrivains majeurs de l'humanité pour ses romans "Guerre et Paix" (1868) et "Anna Karénine" (1875), entre autres, œuvre qui atteint quatre-vingt dix volumes, mais surtout comme l'un des esprits les plus engagés auprès des pauvres et pour la paix et considéré comme le père du pacifisme moderne.

Royaume TolstoïoPour nous théologiens, ce qui compte tout particulièrement, c'est le livre "Le Royaume de Dieu est en nous" écrit après la grande crise spirituelle de ses cinquante ans (1878). Il a fréquenté des philosophes, des théologiens et des sages, et aucun ne l'a satisfait. C'est alors qu'il s'est immergé dans le monde des pauvres. C'est là qu'il a redécouvert la foi vivante "celle qui leur donnait la possibilité de vivre". Tolstoï considérait cette œuvre comme la plus importante de tout ce qu'il avait écrit. Ses romans célèbres, il les considérait, ainsi qu'il l'avoue dans son journal de 1895, comme destinés à attirer les clients et leur vendre ensuite quelque chose de bien différent. Il a mis trois ans pour terminer cette œuvre (1890-1893) Elle a été publiée au Brésil par l'éditeure Rosa dos Tempos (aujourd'hui, Record) en 1994 avec une belle préface du Frère Clodovis Boff, mais est hélas épuisée.

"Le Royaume de Dieu est en vous", traduit immédiatement en plusieurs langues, a eu une répercussion énorme, suscitant des applaudissements et des rejets courroucés. Mais l'influence la plus forte a concerné Gandhi. Plongé lui aussi dans une crise spirituelle profonde, croyant encore en la violence comme solution aux problèmes de société, il a lu le livre en 1894. Il a provoqué en lui un choc immense. "La lecture de ce livre m'a guéri et a fait de moi un adepte résolu de l'ahimsa (non-violence)". Il faisait lire le livre à ses amis et l'a emporté en prison en 1908 pour le méditer. L'apôtre de la non-violence active a eu pour maître Léon Tolstoï. Ce dernier a été excommunié par l'Eglise orthodoxe et le livre interdit par le régime tsariste.

Quelle est la thèse centrale de ce livre ? C'est la parole du Christ : "Ne résistez pas au mal" (Mat. 15 – 39) soit, ne répondez pas à la violence par la violence. Il ne s'agit pas de se croiser les bras, mais de répondre à la violence par la non-violence active : avec bonté, douceur et amour. Autrement dit, "ne pas riposter, ne pas rendre la pareille, ne pas contre-attaquer, ne pas se venger". Ces attitudes vraies contiennent intrinsèquement une force invincible, ainsi que l'enseigne Gandhi. Pour le prophète russe, ce précepte ne se limite pas au christianisme. Il traduit la logique secrète et profonde de l'esprit humain qui est l'amour. Il touche au sacré qui est au fond de chacun d'entre nous. C'est pour cela que le titre est : "Le Royaume de Dieu est en vous."

Gandhi a traduit la non-violence tolstoïenne comme non coopération, désobéissance civile et rejet actif de toute servilité. Aussi bien lui que Tolstoï savait que le pouvoir se nourrit d'acceptation, d'obéissance aveugle et de soumission. Parce que l'Etat aussi bien que l'Eglise exigent ces comportements serviles, il les disqualifie de manière percutante. Ce sont des institutions qui paralysent la liberté, attribut inaliénable et spécifique de l'être humain. Au frontispice du livre nous lisons la phrase de St Paul : "Ne devenez pas esclaves des hommes." (I Cor. 7-22). Pour Tolstoï le christianisme est moins une doctrine à accepter qu'une pratique à vivre. Il est devant nous et non derrière, derrière il nous semble avoir échoué. Mais devant nous il est une force qui n'a pas encore été expérimentée totalement. Il est urgent de la mettre en pratique. De façon prophétique Tolstoï pressentait l'irruption de guerres violentes, ce qui en fait s'est produit. La maison est en train de prendre feu et on n'a pas le temps de se demander s'il faut en sortir ou non.

Tolstoï a un message pour notre temps, car les grands de ce monde continuent à croire en la violence guerrière pour résoudre les problèmes politiques en Irak et en Afghanistan. Mais d'autres temps viendront. Quand le petit poussin ne peut plus rester dans l'œuf, il brise de lui-même la coquille avec son bec et il naît. Ainsi devra naître une vie nouvelle de non-violence et de paix.

Léonardo Boff, théologien, philosophe et écrivain.

Traduit de Adital du 29 novembre 2010

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22 novembre 2010 1 22 /11 /novembre /2010 21:23

de Victoria Donda. L'auteur, devenue députée dans son pays, raconte elle-même sa vie incroyable.

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Durant les années noires de la dictature argentine (1976-1983), les militaires supplicièrent et assassinèrent des dizaines de milliers de personnes.

Dans les prisons, des centaines de bébés furent enlevés à leurs mères et donnés à des sympathisants du régime. A vingt-sept ans, Victoria découvre qu'elle est l'un de ces enfants. A l'époque, elle s'appelle encore Analia et ignore tout de l'histoire tragique de sa naissance. Elle ne sait pas que c'est son oncle - tortionnaire et officier haut placé dans le plus important centre de détention clandestin de Buenos Aires - qui a participé à l'arrestation et à l'assassinat de ses parents, puis l'a fait placer dans une famille de militaires sous un faux nom...

Après avoir vécu tant d'années dans le mensonge, Victoria doit se réapproprier son destin, reconstruire entièrement son histoire et son identité. Grâce à une force de vie exceptionnelle, elle parvient à renaître : elle poursuit le combat politique mené par ses véritables parents, reprend son nom et se fait élire députée en 2007. Un témoignage unique sur le destin des enfants de disparus dans l'Argentine des années de plomb. 

(4ème de couverture)

 

Ed. Robert Laffont 270 p. 20 €.

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  • : Les amis de Gabriel MAIRE
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  • : L'association "Les amis de Gabriel MAIRE" a été créée après l'assassinat de Gaby au Brésil le 23 décembre 1989. . A associação "les Amis de Gabriel Maire" foi criada depois da morte do Padre Gabriel em Brasil o 23 de dezembro de 1989.
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